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Grupos de e-commerce da China intensificam investidas no mercado brasileiro

Delegação de empresários busca parcerias locais e avalia expansão física no país impulsionada pelo fim de tributos sobre importações de menor valor

Grupos empresariais da China voltados ao comércio eletrônico têm intensificado visitas ao Brasil com o objetivo de estabelecer parcerias locais, testar canais de atacado e avaliar a criação de estruturas físicas no país. A movimentação ocorre em meio a mudanças regulatórias e comerciais que redefinem o ambiente competitivo do setor.

Aproximação e perfil das empresas

De acordo com levantamento de mercado, delegações compostas por dezenas de empresários de setores como tecnologia, varejo online, vestuário, casa, esportes, beleza e serviços de comércio internacional visitaram o país recentemente. As companhias envolvidas possuem faturamento na casa dos US$ 100 milhões e incluem nomes como Chenfeng Technology, Yaqinlan Apparel, Zhiyi Apparel, Maigemei, Zhuoansheng, Fakouni, Dora Technology, Xingxuan Network, Douli Shiyi, Xinhuo Cross-Border e WMM.

O plano inicial dessas corporações consiste em realizar vendas na modalidade cross-border por meio de marketplaces estabelecidos, a exemplo de TikTok Shop, Shopee, Mercado Livre e Temu. Caso as operações alcancem tração comercial, a estratégia prevê a implantação de estruturas próprias no mercado brasileiro.

Fatores geopolíticos e econômicos

A retomada e expansão do interesse chinês pelo e-commerce nacional são atribuídas a múltiplos fatores, incluindo a busca por diversificação geográfica de mercados e o endurecimento de restrições comerciais a produtos chineses nos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump. O cenário político interno brasileiro, marcado pela vitória de Flávio Bolsonaro — cuja família adotou histórico de retórica crítica à China —, também figura como ponto de atenção e análise de risco para os investidores estrangeiros, embora prevaleça a avaliação de que a China se mantém como o principal parceiro comercial do Brasil.

No âmbito regulatório, o fim da tributação federal de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 — medida popularmente associada ao debate sobre a taxação de mercadorias estrangeiras — funcionou como um indutor adicional para que empresas originárias de polos tecnológicos como Shenzhen voltem suas atenções para o mercado sul-americano. Shenzhen registrou em 2025 um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 3,87 trilhões de yuans (cerca de US$ 560 bilhões), com o comércio eletrônico cross-border respondendo por cerca de US$ 160 bilhões.

Repercussão e debate sobre isonomia tributária

O avanço das plataformas e mercadorias internacionais gera contrapontos expressivos no empresariado nacional. Dados da consultoria Mordor Intelligence indicam que o volume de comércio eletrônico cross-border atingiu US$ 8 bilhões no Brasil em 2025. Por sua vez, a Secretaria da Receita Federal apontou uma arrecadação de R$ 2,13 bilhões em impostos de importação sobre encomendas internacionais de janeiro até meados de maio.

A revogação do imposto de importação para compras de até US$ 50 motivou críticas de representantes do setor varejista nacional, que argumentam haver assimetria de condições competitivas. O presidente da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unec), Leonardo Miguel Severini, questionou publicamente a restrição da desoneração apenas ao canal internacional. Na mesma linha, o executivo Sérgio Zimerman criticou a incidência de pesados tributos sobre a cadeia produtiva e o varejo instalados no Brasil em comparação com a isenção federal concedida aos produtos fabricados no exterior.

Fonte

neofeed.com.br

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