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E-commerceKivaiAtualizada em 13 de agosto de 2026

Comércio agêntico pode exigir sites preparados para agentes

Visa prevê que lojas virtuais precisarão adaptar dados, pagamentos e navegação para permitir compras realizadas por agentes digitais.

Carrinho de compras digital conectado a produtos e sistemas automatizados de pesquisa e pagamento em uma loja virtual.
Agentes digitais podem mudar a forma como consumidores pesquisam e compram em lojas virtuais.

O avanço dos agentes capazes de pesquisar produtos e participar de compras pode provocar uma mudança importante na arquitetura das lojas virtuais. Em vez de atender apenas consumidores navegando por páginas, os e-commerces poderão precisar disponibilizar informações em formatos preparados para sistemas automatizados consultarem produtos, preços, estoque, entrega e condições de pagamento.

A previsão foi apresentada por Frederico Succi, vice-presidente de produtos e inovação da Visa do Brasil, ao Mobile Time. Segundo o executivo, boa parte dos sites atuais foi projetada para a experiência humana e contém elementos que podem dificultar o trabalho de agentes, como carregamento progressivo de resultados, pop-ups, animações e informações comerciais distribuídas em diferentes etapas.

A discussão ocorre enquanto empresas como Visa, Google e OpenAI desenvolvem padrões e infraestruturas voltados ao chamado comércio agêntico, modelo no qual sistemas podem pesquisar, comparar alternativas e executar etapas de uma compra conforme as permissões concedidas pelo usuário.

Sites poderão conversar diretamente com agentes

Para uma pessoa, navegar por diversas páginas, abrir detalhes de um produto e calcular o frete durante o checkout faz parte da experiência comum de uma loja virtual. Para um agente responsável por encontrar rapidamente uma determinada oferta, essa fragmentação pode representar uma barreira.

A tendência é que informações necessárias para uma decisão de compra sejam oferecidas de maneira mais estruturada. Isso inclui preço atualizado, disponibilidade, características do produto, formas de entrega e outros dados comerciais.

Succi avalia que essa comunicação poderá ocorrer principalmente por APIs, criando uma espécie de camada específica para máquinas, enquanto o site tradicional continuará atendendo usuários humanos.

Essa direção já pode ser observada em iniciativas internacionais. O Google apresentou em 2026 o Universal Commerce Protocol, ou UCP, padrão aberto desenvolvido para facilitar a comunicação entre plataformas, varejistas e experiências de compras baseadas em agentes. A empresa também passou a integrar recursos desse protocolo ao Google Shopping e ao Google Pay.

A OpenAI trabalha em uma infraestrutura semelhante com o Agentic Commerce Protocol, conhecido como ACP. A especificação permite que comerciantes forneçam catálogos estruturados com dados como produtos, preços e disponibilidade para uso durante experiências de descoberta e compra.

Agentes verticais devem avançar primeiro

Outra diferença importante está no tipo de agente utilizado pelo consumidor.

Os chamados agentes verticais funcionam dentro do ambiente de uma determinada empresa ou marketplace. Nesse modelo, a relação tende a ser mais simples porque o consumidor já possui conta, histórico e, muitas vezes, uma forma de pagamento cadastrada naquela plataforma.

Já os agentes horizontais poderiam pesquisar em diferentes lojas e realizar ações fora de um único ecossistema. O funcionamento desse modelo é mais complexo porque envolve integração e confiança entre consumidores, comerciantes, bancos, credenciadoras, bandeiras e plataformas digitais.

A Visa vem investindo justamente nessa camada de confiança. Seu programa Agentic Ready permite que participantes testem pagamentos iniciados por agentes e validem etapas como cadastro de credenciais, tokenização, autenticação e autorização de transações. A iniciativa foi ampliada para diferentes mercados em 2026, incluindo a América Latina.

Compra pode acontecer sem a navegação tradicional

O impacto para o comércio eletrônico pode ir além da criação de novas formas de pagamento.

Em uma jornada tradicional, o consumidor abre uma loja, pesquisa um item, compara opções e finaliza a compra. Em uma experiência agêntica, parte desse trabalho pode ser delegada.

Uma pessoa poderia, por exemplo, determinar um orçamento máximo e solicitar que um agente procure determinado produto em diferentes estabelecimentos. Outra possibilidade seria estabelecer uma condição para que uma compra aconteça quando o preço atingir determinado valor.

Compras recorrentes também aparecem como uma aplicação possível. Um agente poderia procurar periodicamente determinados itens e comparar preços e condições de entrega antes de apresentar alternativas ou executar uma ação previamente autorizada pelo consumidor.

O Google estima, citando projeções da Bain, que as compras agênticas poderão representar aproximadamente 10% a 25% do comércio eletrônico dos Estados Unidos até 2030, embora a adoção dependa da evolução tecnológica e da confiança de consumidores e empresas.

E-commerces terão um novo desafio técnico

Para varejistas, a transformação pode criar uma nova frente de otimização. Além de manter páginas adequadas para pessoas e mecanismos de busca, empresas poderão precisar garantir que seus catálogos também sejam facilmente compreendidos por agentes.

Dados estruturados, estoque atualizado, preços confiáveis, APIs e integração com sistemas de pagamento ganham importância nesse contexto. A Visa também destaca que comerciantes precisarão diferenciar agentes legítimos de robôs maliciosos e criar mecanismos seguros para transações iniciadas por esses sistemas.

A mudança ainda está em desenvolvimento e diferentes modelos devem coexistir. Mas os investimentos recentes de grandes empresas de tecnologia e pagamentos indicam que a preparação das lojas para consumidores que chegam por meio de agentes pode se tornar uma nova etapa da evolução do comércio eletrônico.

Fonte

Mobile Time

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